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Crer, um jeito de viver

Notícia Publicada em 04/05/2021



  Ir. Arací Mariana Kother

Relendo as páginas da história da humanidade encontramos muitos homens e mulheres, que pelo seu jeito de ser e viver deixaram marcas na história. A marca que cada um/a deixou tem formas e motivos diferentes, porque depende de como viveram, o que fizeram e o que deixaram de fazer.

A vida humana se transforma na medida em que a pessoa se encontra com a Palavra de Deus e faz a experiência do amor de Deus bom e providente. Assim aconteceu com os personagens bíblicos e com tantos santos e santas que marcaram e continuam marcando da história da Igreja.

  A seguir proponho uma reflexão sobre a vida de uma menina, filha de camponeses simples e confiantes em Deus, nascida em Laak na Holanda, em 19 de novembro de 1787, essa garotinha, no batismo recebeu o nome de Catarina e por seu modo de crer e agir, na vida adulta, marcou a história do seu tempo pela sua inabalável confiança na Providência de Deus. Na infância, seus pais, Gertrudes e Cornélio Daemen lhe ensinaram a confiar sempre em Deus e nos momentos difíceis dizer: “Deus Proverá” (cf. Gn 22,8) ou “Deus Cuida” (I Pd 5,7). Nesse ambiente cristão ela foi crescendo e descobrindo que um mundo diferente se apresentava para ela. Aos 16 anos saiu de casa e foi morar com uma família em Maaseik, aí conheceu os Freis Capuchinhos e se encantou pela espiritualidade de São Francisco de Assis, ajudava nos trabalhos domésticos da paróquia e cuidava das alfaias da igreja. Tinha sempre presente em seu coração a educação cristã que recebera no ambiente familiar. Certo dia, Catarina ouviu a voz de Deus, que lhe pedia para fundar uma Congregação Religiosa. Ela ficou assustada com o que Deus lhe pedia, e pensou consigo, não tenho instrução acadêmica, nem recursos financeiros, como vou concretizar o que Deus está me pedindo? Mas, como era uma pessoa de oração e confiante em Deus, lembrou-se da frase que aprendeu dos seus pais: “Deus Proverá” (Gn 22,8), ou “Deus Cuida” (cf.1Pd 5,7), neste espírito foi em frente. Encontrou muitas dificuldades, mas com grande humildade sempre dizia: “A obra não é minha, é de Deus, Ele vai cuidar”. Assim, prosseguiu superando todos obstáculos, certa de que Deus caminhava com ela e lhe indicava o caminho e o jeito de caminhar. Após vários anos de luta e sacrifícios, no dia 10 de maio de 1835, conseguiu fundar a Congregação das Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã, em Heythuysen na Holanda, assumindo com suas companheiras viver a espiritualidade de São Francisco de Assis. Como religiosa passou a chamar-se de Madre Madalena Daemen.

Hoje, a Congregação das Irmãs Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã está presente em onze países, sendo que no Brasil, atualmente, somos duas Províncias. A Província do Imaculado Coração de Maria, com sede em Santa Maria – RS, neste ano, celebra seu jubileu de 70 anos de fundação, atuando na missão da educação, saúde, serviço social e em comunidades inseridas e solidárias, dando continuidade ao carisma de Madre Madalena.

Fazendo uma releitura desta história ao longo dos 70 anos, vislumbra-se a confiança na Divina Providência na vida e na ação missionária de cada Irmã, que com fé profunda, esperança firme e amor fraterno faz parte desta Província. A trajetória de confiança em Deus trilhada por Madre Madalena Damen, nos ensina que tudo o que é de Deus cresce e prospera: ela acreditou e Deus Cuidou!  E assim, a mão da Divina Providência continua conduzindo, abençoando e fazendo prodígios na ação de suas filhas.